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Por que minha autoestima tá tão ruim?

há 12 minutos
3 min de leitura
Um homem se desfragmentando em um quebra cabeças e outro sentado ao lado simbolizando a fragilidade da imagem ideal de si próprio nos processos de autoestima.

Quem você deseja ser?


É por essa pergunta que você precisa começar quando sua autoestima não vai bem, essa pergunta é a chave para entender com o que você se compara. Então quem é essa pessoa que você deseja ser? Quais suas características físicas? Seus comportamentos? Princípios? Aquisições? Conquistas? Quem você deseja ser?


Desejamos ser pessoas excepcionais, morais, éticas, competentes, boas, controladas, equilibradas, a lista é grande de qualidades que muitos desejam, mas para você: o que você almeja ser? Como é? Tenta descrever com máximo de detalhes. Não conseguiu? Travou? Simplesmente “não sei” te surge a mente?


Pois é.


Muitas vezes não sabemos quem desejamos ser, e como uma expectativa cujo a qual você não sabe nada sobre pode fazer você se sentir tão mal?


Como algo que não “existe” pesa tanto quando você se olha no espelho e sente que não é bom o bastante?


Talvez você “só” deseje pertencer, ser sociável, bem sucedido, cheio de metas e ambições, e no fundo acredite que para alcançar esse Everest de expectativas você deve rasgar e abandonar tudo aquilo que está em você que não se encaixa nessa versão do quem você deseja ser.


Você se rasga, se recorta, a autoestima sofre constantes ataques seus porque você tem raiva das partes suas que impedem de realizar o seu ideal: quem você quer ser?


Como resolver esse problema?


O principal problema é que você define que uma máscara tem mais valor do que o seu rosto. O que você imaginou, espera e fantasia tem mais valor do que é real, porque o que é real é cheio de defeitos, é lama, é barro inútil e você quer asfalto para embarcar na sua Ferrari e acelerar tudo até chegar na realização dos seus sonhos.


O problema é sua atitude de lutar contra si próprio para se tornar uma máscara, uma idealização.


Tudo o que for máscara sempre vai valer mais do que tudo aquilo que for o seu rosto, entende? Você não consegue dar valor a quem você é, você só valoriza quem você quer ser, e nisso cria-se um abismo que suga tudo e impede que você trabalhe sobre quem você é.


Você fica preso com raiva de não conseguir alcançar quem gostaria de ser, você odeia quem você é, e para quê? 


Talvez você tenha aprendido a odiar determinadas coisas sobre você, sua aparência, seu jeito, seus gostos, sua sexualidade ou qualquer outra característica que é sua, você a vê como horrível, mas será que ela é tão horrível assim?


Será que não é isso que você precisa ao invés de uma máscara? Você tem coragem, e mais ainda, você tem coração grande o suficiente para conseguir olhar para quem você é?


Kafka tinha razão quando escreveu em metamorfose, quando você deixa de ser útil você só se torna um ser repulsivo para os outros, um fardo. Isso se você escolher se valorizar só pela sua utilidade, só pelas suas conquistas, só por uma coisa e não por outra.


É preciso ter um olhar de um coração grande que abrace e valorize diversas e diferentes coisas sobre quem você é, muitas delas não vão ser úteis aos seus objetivos, outras podem até ser de um jeito completamente inesperado, só você não foi criativo o suficiente porque joga fora terra fértil que está ali o tempo todo com você.


Quando você se sente mal diante dos seus ideais, isso é um sinal de que seus ideais e expectativas estão muito elevados, sinal de que você está abandonando o material e características que você tem para desejar e sonhar com algo descolado de quem você é. É uma voz te chamando para se descobrir ao invés de impor quem você deveria ser.


Um chamado para olhar, um olhar sincero e honesto se perguntando: quem mora aqui dentro? Que sentimentos estão aqui? Que desejos? Por que almejo tais coisas? É isso que realmente quero?


Um olhar que se abre a tais possibilidades é capaz de encontrar o novo ao invés de ficar preso entre uma perspectiva excessivamente pessimista de si mesmo ou uma expectativa excessivamente alta, é um olhar que trabalha com o que é real.


Uma atitude aberta é construída e precisa superar diversos desafios de uma vida na qual muitos te ensinaram a desprezar várias partes de você, isso é possível. 


Sua autoestima provavelmente está ruim porque você está desconectado de si próprio, está grudado em máscaras e ideais que não condizem com quem você é. A pergunta agora é: você quer desenvolver esse olhar em direção a novos caminhos?


Foto do autor do texto sobre autoestima.

Esse é o meu trabalho, isso é terapia, isso é análise.


Ricardo Sergio Backes Bertuol

Analista Junguiano & Psicólogo CRP 08/32882


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Marie Louise von Franz

"A análise consiste em educar as pessoas a conseguir ouvir sua voz interior"

“Assim, em nossa linha de trabalho, seguimos os sonhos. Trabalhamos com o paciente para descobrir o significado e deixamos a coisa aí. Dessa forma, o paciente não se sente preso na camisa de força do conceito do analista sobre normalidade ou adaptação. Ele segue suas intimações interiores, aquilo que sua própria psique lhe diz. Portanto, a análise consiste em educar as pessoas a conseguir ouvir sua voz interior e a segui-la com o auxílio dos sonhos.” - Von Franz no livro "Caminho dos sonhos"

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