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Conto do Príncipe Porco: é preciso amar o que se tem

há 43 minutos
2 min de leitura
Porquinho fofo sentado em fundo bege, com folhas verdes no canto e logotipo com a letra R no canto inferior esquerdo.

As pessoas não vivem por aí desejando serem compreendidas, amadas e aceitas? Quantas delas estão dispostas a amarem e compreenderem quem são hoje? O quanto somos capazes de suportar uma ferida, trocar seus curativos todos os dias até que ela se cicatrize?


Marie Louise von Franz nos traz no seu livro, "O significado psicológico dos motivos de redenção nos contos de fada" o seguinte conto:


Era uma vez um rei e uma rainha que tiveram um filho, três fadas lhe vem ao berço uma diz que terá boas qualidades morais, a segunda beleza e a terceira diz que ele deve viver como porco.


Os pais querem encontrar uma noiva para ele quando ele faz 20 anos, as primeiras pretendentes tentam matá-lo pelo ouro, mas o porco é mais astuto e as mata antes que elas o matem para ficar com o ouro dele.


A terceira pretendente é carinhosa com o porco, e quando a rainha pergunta o porquê ela é assim com ele, ela diz que deve-se amar aquilo que se tem.


A noite, o porco se despia se transformava em um belo príncipe, certa vez os pais encontram a pele de porco no chão e a queimam e o príncipe estava então redimido, não precisando mais ser um porco.


Imagine se sua autoestima é condenada a ser um porco, então você se vê das piores formas possíveis, as vezes tem alguns momentos em que consegue tirar a pele de porco e se vê um pouco melhor.


Mas e aí, você estaria disposto a amar aquilo que é, o modo que se vê? Veja, não é uma receitinha ou um clichê sobre amor próprio, isso é extremamente difícil.


Queremos matar rapidamente a questão como as duas primeiras moças, pegar o ouro e viver bem. Todos querem resolver seus problemas e parar de sofrer sobre isso, certo?


Amar o porco é cuidar da sua questão, se você odeia o modo como parece ser para si mesmo, você precisará cuidar disso todos os dias até que enventualmente nasçam algumas experiências positivas e você se sinta melhor.


É cuidar de uma ferida, trabalhar nela até que ela melhore.


Mas uma ferida não é algo bonito nem agradável ou amável, é como um porco, condenado a habitar uma forma indigna até que a questão amadureça através do trabalho e cuidado, e, eventualmente possa deixar o problema para trás ao queimar a pele de porco.


As pessoas constantemente desejam esse tipo de cuidado, todos querem ser o porco e receber cuidado, mas poucos querem cuidar do próprio porco com a devida atenção.


É sujando as mãos na lama, falando do que dói, e enfrentando a questão como ela é, mesmo que seja difícil, que eventualmente isso te transforma.


Von franz aborda diversos outros caminhos mais ou menos gerais sobre o processo de transformação da personalidade, sobre quebra de padrões, e esse é um desses processo descrito de modo breve.


Então, se você está disposto a investir em si mesmo, suportar suas feridas, trocar seus curativos até que isso se transforme e transforme você no processo, a análise junguiana pode fazer sentido para você.


Ricardo Backes,

Analista Junguiano & Psicólogo CRP 08/32882



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Marie Louise von Franz

"A análise consiste em educar as pessoas a conseguir ouvir sua voz interior"

“Assim, em nossa linha de trabalho, seguimos os sonhos. Trabalhamos com o paciente para descobrir o significado e deixamos a coisa aí. Dessa forma, o paciente não se sente preso na camisa de força do conceito do analista sobre normalidade ou adaptação. Ele segue suas intimações interiores, aquilo que sua própria psique lhe diz. Portanto, a análise consiste em educar as pessoas a conseguir ouvir sua voz interior e a segui-la com o auxílio dos sonhos.” - Von Franz no livro "Caminho dos sonhos"

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