top of page

Amor e dependência: Quando satisfeito, até o diabo cria o paraíso

  • 6 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura
Homem quebrando com rachaduras
Homem quebrando com rachaduras

Quem é dependente do outro alcança o paraíso quando finalmente, por alguns segundos, conseguiu agradar a pior pessoa do mundo. Quando você consegue isso, você chega no paraíso que o diabo criou. Você é o herói, está de alma lavada, vendeu a própria alma para agradar o outro e assim se tornar a criatura mais bondosa do universo.


Custou caro né?


(Esse conteúdo está disponível no meu podcast, clique aqui para acessar)


O paraíso é o lugar dos mortos, assim como o inferno ou o submundo. Quando você se apaixona e acredita que o amor deve te levar ao paraíso, esse amor será terrível caso não se liberte disso, pois os parceiros sofrerão os mais severos castigos caso se desviem do amor ideal, do parceiro ideal esperado.


O castigador encontra sua vítima quando vê nesta a fome pelo paraíso. Alguém que tem fome de paraíso pagará o preço que for para pisar nas nuvens do amor, mas descobrirá que sob seus pés está o fogo do inferno, pois pagou um preço alto demais para viver 5 minutos no paraíso. Uma ilusão.


A fome pelo paraíso, pelo amor perfeito, pelo parceiro ideal a tudo devora inclusive você mesmo, pois você estará disposto a tudo para que o diabo crie o paraíso para você.


O maior êxtase é agradar a pessoa mais difícil, é uma conquista, mesmo que seja uma caminhada rumo a destruição de tudo o que você é, e quando você é reduzido a nada o outro fica satisfeito, então o diabo cria o paraíso.


Você foi reduzido a nada, tornou-se um nada mais que, um objeto que agrada o outro para ganhar o mais doce dos presentes. Quando você vira nada, ninguém além do castigador pode amar você de verdade, assim a corrente se fecha, o cadeado tranca. É a fome e a vontade de comer, o castigador ganhou seu súdito, e o súdito ganhou o mestre, a promessa de amor e felicidade que custa mais caro que a própria vida.


Não é mais amor, são jogos de poder.


Por que você coloca tudo na mão do outro? Que desejo é esse de não viver a vida nem a infelicidade nela contida, mas morar na macies ilusória das nuvens, o preço é alto demais porque a vida se torna mais dura do que realmente precisa ser quando se tenta agradar aquilo que nunca estará satisfeito.


O outro nunca satisfeito, a pior pessoa do mundo que sempre te critica, no fundo é você mesmo, pois você se sujeita a agradar até a própria destruição, porque no fundo não é consciente do seu próprio valor. Você abriu mão da sua própria tarefa em determinar quem você é, qual o sentido da sua vida, o que você espera do amor. O outro insaciável é reflexo da sua própria fome.


Essa situação é como se fosse uma caixa de pandora de onde sairão todos os males do mundo, mas onde também habita a esperança, ou seja, depois de destruir-se nesse processo, talvez você encontre um caminho para descobrir a si mesmo, o seu próprio valor.


Nem o inferno, nem o submundo, nem o céu ou o olimpo são lugares para os humanos, para os vivos, então por que você tem se destruído para viver o que não cabe a você? Onde está a medida da sua vida? Da sua felicidade? Do seu amor?


Quando o amor vira uma fome insaciável ele se torna uma negação a vida, é o pavor de tocar realmente no problema do amor, de entrar em uma relação, então você fica em ideais, em nuvens, em paraísos, ou em infernos insuportáveis, diria Jung que "o amor meramente humano representa um problema tão espinhoso para o mortal que ele prefere esconder-se dele por todos os meios a tocar em uma de suas pontas". (Símbolos da transformação §466)


Veja, se for assim você estará amando uma expectativa e não uma pessoa, não sei se há no mundo algo mais cruel que amar uma expectativa, mais ainda, fazer seu parceiro vestir sua expectativa, então são apenas flechas voando no escuro de uma relação dolorida.


Antes de terminar uma observação: me refiro ao diabo não no sentido religioso, mas no psicológico, sobre o que o diabo ou demônios representam: uma oposição, vontade pura, o mal, a destruição dentre tantas outras coisas. Assim como paraíso ou inferno se referem as representações, ou seja, imagens de lugares ou saberes que são um mistério para a humanidade, onde a humanidade sempre criou um além, um pós vida, um lugar onde habita a alma, habitam os Deuses, concepções essas que se repetem em grande parte das mitologias em todo o mundo, ou seja, imagens que falam de questões humanas, como amor, morte, vida, sentido...


Uma segunda observação é que esse conteúdo é bem genérico, ou seja, ele não é feito para se encaixar na vida de ninguém em específico, assim, considere tudo isso com senso crítico, o que fizer sentido e for construtivo você aproveita, e o que não for você descarta, espero que tenha feito sentido para você!


Gostaria de me despedir de vocês com a seguinte frase: "O amor é sempre um problema, qualquer que seja a faixa etária do ser humano em que ele ocorre. Para os que estão na infância, o problema é o amor dos pais; para os idosos o problema é o que eles fizeram com seu amor. O amor é um dos grandes poderes do destino, ele se estende do céu até o inferno" - Jung, sobre o amor p. 15


Se é sua primeira vez aqui no meu site, eu sou Ricardo, sou psicólogo e trabalho com psicoterapia Junguiana desde 2021, caso você queira iniciar terapia é só me mandar mensagem clicando aqui. Se quiser conhecer meu Instagram, clique aqui.


Obrigado e até a próxima!

Ricardo Sergio Backes Bertuol

Psicólogo CRP 08/32882

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Não perca nenhum post.

Assine o blog e não perca nenhum post!

Digite seu e-mail e clique em enviar, assim você recebe um e-mail sempre que houver um post novo no meu blog!

Você se sente preso? Constante decepção com as pessoas e consigo mesmo por não conseguir mudar? Sente um cansaço constante diante da vida e das relações que só repetem os mesmos problemas? Uma insatisfação e vazio que não passam com nada? Medo de dizer não, de não agradar? Ansiedade porque deveria fazer mais e melhor pelos outros? Se sente envergonhado, esquisito ou inadequado?

 

Essas são algumas das consequências de viver a rejeição, a vergonha seja dentro da família ou fora dela.


O armário e a homofobia causam essas dores, bem como ambientes familiares e sociais difíceis.
Isso cria um padrão de vida, de se relacionar que é sufocante porque você vive sem saber dos seus sonhos, desejos e sem saber do seu potencial. Você está desconectado de si mesmo porque aprendeu que o que e quem você é não tem valor. É viver em estado de alerta para que ninguém descubra suas características ruins, como em um filme de terror e o monstro é o olhar dos outros.


Assim você vive aceitando qualquer coisa porque aprendeu que você não tem valor, então não pode fazer exigências, faz tudo pelos outros, se molda pela felicidade e bem-estar dos outros. Mas os outros felizes e satisfeitos com os seus sacrifícios não traz significado a sua vida, pelo contrário: rouba o sentido de viver.


Recuperar quem você é, ouvir suas emoções, desejos, e descobrir o que faz sentido para você na vida, desenvolver coragem para construir e conquistar o modo de vida que faz sentido apesar do olhar dos outros, das reprovações, a firmeza necessária para manter essa mudança. Essas coisas são a chave para a jornada de quebrar esse ciclo. Isso é mergulhar nas suas cores.


Isso é parar de tentar se encaixar. Imagina, como seria? Sair desse sufoco, se sentir mais leve, fazer o que faz sentido, viver, se relacionar e amar conforme quem você é e o que te realiza. Imagina como seria resgatar suas cores que foram perdidas, esquecidas e roubadas?


Esse é o meu trabalho: ouvir com você o que foi calado, silenciado e esquecido. Mergulhar com você para explorar e resgatar o que foi perdido, não em direção a perfeição, mas em direção a quem você é. Esse trabalho se chama análise.
 

Na análise você vai ser ouvido de modo livre, sem imposições, é um espaço construído para mergulhar nas suas cores, para isso o método dialético coloca eu e você como iguais, se trata de uma descoberta, vamos explorar juntos, no seu tempo, do seu jeito os padrões e ciclos que te prendem, podemos também analisar seus sonhos porque eles nos mostram o que eu e você não vemos, os detalhes das correntes, os mecanismos, o jeito que você cai sempre no mesmo ciclo. Não há preconceitos sobre como você tem que viver, o que é saudável ou normal, o que decide isso é a experiência, é você, se você fica saudável e confortável no estilo de vida que você escolhe viver, então não há imposições.


Eu não determino o que você tem que fazer, porque isso o mundo já fez para você sua vida inteira e o resultado foi péssimo, a análise é um lugar novo para vivenciar o novo, você não precisa de mais correntes, precisa de liberdade para explorar os diversos sentidos que suas emoções, desejos, sonhos e projetos te mostram, você precisa ouvir quem você é. Esse espaço é a análise.


A análise é prática, o que é resgatado se torna ação, experiências que te transformam, mas a direção quem escolhe é você, o caminho é seu e o volante está na sua mão, meu papel é abrir o mapa e mostrar as possibilidades que estavam invisíveis para você até agora.


A análise é o mapa que tem o potencial de abrir novas áreas que você jamais viu antes, novos caminhos, ferramentas capazes de aos poucos quebrar ciclos.


Se tudo isso fez sentido e você quer começar esse trabalho, me chama no Whatsapp, me conta o que tem te angustiado que eu vou te explicar e dizer se a análise é a melhor escolha para você! É só clicar aqui embaixo:

bottom of page