Vazio: por que o amor te transforma em um predador?
- Ricardo Backes

- 5 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 17 de dez. de 2025

"Eu coloquei meu coração numa bandeja. Eu me desdobrei em mil pedaços para caber no mundo dele. E o que eu recebi? Silêncio. O morno. A mediocridade."
"Ele disse que encontrou o amor comigo... mas na primeira oportunidade de viver esse amor de verdade, ele correu. Por que todos preferem o raso? Por que eu dou tudo de mim e termino de mãos vazias?"
Hoje vamos falar sobre esse **vazio** que fica quando a gente entrega tudo e recebe migalhas. Mas antes de apontar o dedo para o outro, vamos nos fazer a pergunta que realmente importa: isso é amor ou desespero para que o outro fique?
É amor ou o desejo de ter poder sobre a outra pessoa?
Será que essa entrega total é generosidade, ou é uma tentativa disfarçada de ter poder sobre alguém?
Quando entramos nesse padrão de "fazer o impossível" pelo outro, o relacionamento deixa de ser uma parceria. Ele vira uma selva. Funciona como um animal caçando na floresta: um ganha e o outro perde. Um devora, o outro é devorado.
Parece amor, eu sei. Mas, no fundo, é uma busca por dominância.
Você está tão desesperado para não sentir a dor do abandono novamente, que usa tudo o que tem à disposição para "prender" o parceiro. Você usa suas emoções, usa o ciúme, mente para si mesmo. Você diz que gosta do que não gosta, só para agradar. Você esquece quem é para se moldar ao formato do outro.
E aí, a armadilha se fecha: como você se sacrificou, você se acha no direito de cobrar o mesmo sacrifício.
Mas aqui está a verdade cruel: Jamais será suficiente!
Você entrega tudo e acredita que isso te torna "especial", merecedor de um amor de cinema, de dorama que amamos tanto né? Mas, na verdade, isso é fruto de um coração partido.
É a ferida da inadequação falando alto.
Em algum momento, você aprendeu que só seria amado se fosse útil, se fosse perfeito, se se destruísse para construir quem você é no outro. É como aquela pessoa obcecada pelo sucesso profissional: ela quer o sucesso como a prova de que 'merece' existir. Na verdade é a incapacidade de sentir o próprio valor que está te movendo.
Você aprendeu que o amor é uma transação: "Eu me dou 100%, logo, você me deve 100%". Mas o amor não é matemática. E essa escolha de se anular foi sua. E, por mais duro que seja ouvir isso: a sua escolha não obriga ninguém a te devolver nada.
O amor talvez seja menor do que você imagina. E isso é uma boa notícia. Ele não precisa desse peso, dessa grandiosidade trágica. Não precisamos ser Romeu e Julieta né?
Então, como sair desse ciclo de entrega e cobrança?
Tire a venda. Olhe para as suas necessidades. Depois, comunique-se. Pergunte ao outro o que é possível e cheguem a um consenso. Vocês são parceiros, não adversários
Não se apague: reflita no que faz você se sentir seguro e pertencente, que não dependa do seu relacionamento amoroso?
Imagine um filme onde a pessoa amada faz exatamente tudo o que você gostaria que ela fizesse. Visualize os detalhes. Agora, olhe para essa cena:
1. Isso é humanamente possível ou é algo cinematográfico?
2. Você já comunicou isso com clareza ou está esperando que o outro adivinhe?
3. Ou será que você está se sacrificando em uma lógica angustiante que só faz sentido para você?
Pare de depositar toda a sua energia vital, sua tensão e sua esperança em uma única relação, não esqueça da família e nem dos amigos!
Ninguém aguenta ser o "tudo" de alguém. É como trabalhar 16 horas por dia: uma hora você entra em colapso. O relacionamento sufoca. As máscaras caem. E o baile termina em explosão, ódio, tristeza e frustração.
Diversifique sua vida. Cultive amigos e laços que façam sentido, tenha hobbies, seus hábitos, suas rotinas, coisas só suas, sua individualidade. O mundo não te deve nada, por isso ninguém vai cuidar de tudo por você. Você se deve a verdade e a liberdade de ser quem é, sem precisar se destruir pelo afeto de ninguém.
Se esse texto tocou nessa ferida, compartilhe com quem precisa ouvir verdades difíceis hoje. E se você sente que é hora de começar o processo para quebrar esse padrão, clique aqui para conversar comigo e agendar sua primeira sessão.
Até a próxima!
Um abraço do seu psi,
Ricardo Sergio Backes Bertuol
Analista Junguiano & Psicólogo CRP 08/32882





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